Com Alerj lotada, médico entrega petição para salvar hospital no Rio

Foi produtivo, conseguimos lotar a Alerj e abrir um canal de negociação com o governador
— Henrique Aquino, médico do HUPE

Na manhã da última quarta-feira, dia 17, deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) receberam das mãos do médico Henrique Aquino o abaixo-assinado com mais de 42 mil assinaturas que exige medidas para salvar o Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE).

A audiência contou com cerca de 300 pessoas se manifestando com faixas, cartazes e camisetas com o lema "HUPE Resiste". Médicos, estudantes, enfermeiros e funcionários do hospital lotaram o auditório da Alerj.

Para Henrique, que também é professor da Universidade do Estado do Rio (UERJ), a solução está mais próxima. "Foi muito produtivo, conseguimos lotar a Assembleia e abrir um canal direto de negociação com o governador [Pezão]", disse ele.

Vários deputados se pronunciaram a favor do hospital e do abaixo-assinado. O professor aponta duas medidas que devem se concretizar nas próximas semanas: uma reunião de líderes partidários com o reitor da UERJ e o diretor do hospital, e outra reunião com o próprio governador do Rio, Pezão.

"Agora estou empenhado. Na audiência que vamos ter com o governador, é importante levar pelo menos o dobro de assinaturas", diz o médico do HUPE. Clique para ler o perfil de Henrique Aquino.

Leia segunda parte da entrevista com o criador do abaixo-assinado:


Change.org - Como foi a audiência sobre o Hospital Universitário Pedro Ernesto?

Henrique Aquino - Foi uma audiência conjunta de três comissões da Assembleia Legislativa do Rio - Saúde, Trabalho e Educação. O tema foi a crise do hospital. O diretor do HUPE estava lá e expôs os dados financeiros e administrativos da instituição. 

 Público assiste à audiência sobre crise no hospital pedro ernesto

Público assiste à audiência sobre crise no hospital pedro ernesto

Fiz a entrega do abaixo-assinado e um pequeno discurso, foi muito bom. De concreto, o que ficou? A petição vai circular pelos 70 deputados da Assembleia do Rio e depois vai ser enviada ao presidente do Legislativo estadual, para que em uma audiência com o governador, seja possível entregar o abaixo-assinado.

Vai haver uma reunião dos líderes partidários com o diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto e com o reitor da UERJ, para traçar estratégias conjuntas de encaminhamento. E vai haver uma audiência privada com o governador, me chamaram para fazer parte dessa comissão.

Isso é o que estávamos querendo, abrir um canal direto de negociação com o governador. Foi muito produtivo, conseguimos lotar a Assembleia, reunimos cerca de 300 pessoas. Teve um impacto político grande, e é o que se precisa ali.

Agora, eu estou empenhado. Na audiência que vamos ter com o governador, é importante levarmos pelo menos o dobro de assinaturas. Acho que dá para chegar lá, porque o pessoal se mobilizou.

Change.org - Quais os próximos passos da campanha?

Henrique Aquino - Em primeiro lugar, fazer o abaixo-assinado crescer. Se dobrar de tamanho, está ótimo. Em segundo lugar, manter o contato com a mídia. Quanto mais reverberar, melhor. Na audiência pública havia rádio, jornais, a imprensa noticiou ao vivo.

Existe também o Diretório Central dos Estudantes da UERJ, os sindicatos que fazem a mobilização do lado deles e pode ser que ocorram atos públicos em breve, mas nada está programado. 

Change.org - E quais são os principais problemas do HUPE?

 paciente aguarda em local com goteira no hospital pedro ernesto

paciente aguarda em local com goteira no hospital pedro ernesto

Henrique Aquino - Fundamentalmente, é a infraestrutura. Os funcionários de algumas empresas terceirizadas estão a 4 meses sem receber, em outras empresas, a 7 meses - estão parados serviços como limpeza, segurança, alimentação, lavanderia. Isso inviabiliza o hospital, porque se não tiver limpeza, como vou internar alguém? Como esterilizar leitos? Em função disso, o Hospital Pedro Ernesto teve que diminuir muito os atendimentos.

O hospital tem 500 leitos, e só estão funcionando 100 e poucos, ou seja: o HUPE está operando com 30% da capacidade. Como o número de procedimentos do SUS cai nessa situação, os recursos disponíveis para o hospital também caem. Está acontecendo uma asfixia progressiva do hospital.

A equipe está toda no hospital, a postos para atuar - médicos, enfermeiros, residentes, funcionários. Mas hospital sem esterilização, sem limpeza e sem segurança não funciona. Ocorre um círculo vicioso. Você fatura menos verba do SUS, tem menos dinheiro para comprar medicamento, material hospitalar etc.

O hospital tem 500 leitos, e só estão funcionando 100 e poucos, ou seja: o HUPE está operando com 30% da capacidade
— Henrique Aquino, médico do HUPE

Change.org - Você esperava que o abaixo-assinado chegasse tão longe?

Henrique Aquino - De começo, eu não esperava. Imaginei: “vamos começar o abaixo-assinado e ver no que vai dar”. Achei que iria mobilizar os pacientes e a comunidade interna, mas não que teria toda essa repercussão. Fui convidado para escrever um artigo no jornal O Globo, estamos vendo adesões massivas. É ótimo.

Change.org - Como foi a sua trajetória como médico?

Henrique Aquino - Sou professor da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ e faço parte do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente (NESA), é uma área que cresceu muito e tem reconhecimento nacional e internacional. O nosso núcleo é reconhecido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), somos referência para treinamento nesta área na América Latina, na Europa.

Minha trajetória na universidade é muito ligada ao trabalho com Saúde do Adolescente. Entrei no Hospital Universitário Pedro Ernesto ainda como aluno, em 1973, onde fiz residência por dois anos. Há 35 anos sou professor da UERJ e médico do HUPE.