'Eu faria tudo de novo' – ninguém segura uma mãe com 175 mil apoiadores

Débora Mendes salvou o coração do filho Artur, de apenas 6 meses, com a força de um abaixo-assinado na Change.org; no dia da cirurgia, os médicos reclamaram do "alvoroço" na internet

O coração do bebê fraqueja, o pulmão sofre. Mas o amor da mãe cresce e ela não desiste. Assim foi com Débora Mendes, de 27 anos, moradora de Brasília que lutou por uma cirurgia cardíaca para salvar a vida do seu filho Artur, de apenas 6 meses.

À esquerda está o bebê artur, que passou por uma cirurgia no coração e se recupera; à direita, sua mÃe e heroína, débora mendes, de 27 anos

Ela moveu o mundo e recolheu cerca de 175 mil assinaturas em um abaixo-assinado para que a Secretaria da Saúde do Distrito Federal e o ICDF (Instituto de Cardiologia do DF) aprovassem a cirurgia de coração que o bebê precisa. Além do problema cardíaco, Artur corria risco de complicações pulmonares se a operação não fosse feita entre os 4 e os 6 meses de idade.

O bebê foi operado no dia 3 de agosto, um mês após o abaixo-assinado ter sido iniciado, e passa bem – ele está se recuperando no Hospital Regional de Taguatinga, para onde foi transferido. Os comentários feitos por apoiadores no abaixo-assinado foram uma fonte de felicidade para Débora.

Os comentários feitos por apoiadores no abaixo-assinado foram uma fonte de felicidade para débora. (Imagem: reprodução)

Força e orações
A mãe diz ter lido as mensagens das pessoas que assinaram. "Eram muitas! Não consegui chegar ao final da lista. Agradeço a todas e todos, principalmente por não me conhecerem e estarem preocupados com a saúde do meu filho, dando força, inclusive fazendo orações", diz Débora.

Algumas pessoas que assinaram a petição enviaram mensagens comoventes. Um exemplo é Luciana Herculano Cattebeke. Luciana escreveu: "Sou médica e sei que ele tem chances se for atendido logo".

Já Sandra Valéria de Sousa, também de Brasília, afirmou entender o que Débora está passando neste momento. "Tenho uma filha de 9 anos com Síndrome de Down que fez essa cirurgia. #VivaArtur!", escreveu Sandra.

'Valeu a pena'
A mãe relata que valeu a pena tudo que foi feito para salvar o filho. “Por conta do problema no coração do Artur, eu tive que deixar meu emprego, vivi os últimos seis meses em função dele", conta, relembrando os meses que dormiu em hospitais. Mesmo assim, Débora é enfática: "Eu faria tudo de novo pelo meu filho, sem pensar duas vezes”.

 Artur já sorrindo no pós-operatório do Instituto de Cardiologia do Distrito federal (Imagem: arquivo pessoal)

Artur já sorrindo no pós-operatório do Instituto de Cardiologia do Distrito federal (Imagem: arquivo pessoal)

Os médicos ainda não deram prazo para Artur deixar o hospital (o que pode levar de alguns dias a meses), mas a mãe aguarda ansiosamente. A partir de agora, o bebê será ensinado a comer, já que desde o nascimento ele é alimentado com sonda.

Sua mãe, Débora, é só otimismo: “Não vejo a hora do meu filho voltar para casa, ter uma vida normal, brincar, passear”, disse. “O Artur é ativo demais da conta, esperto, quer mexer em tudo que vê."

A força do abaixo-assinado
Débora lembra de um episódio curioso: no dia da cirurgia de Artur, uma médica veio falar com ela no estacionamento do hospital. 

“Acredito que ela trabalha no setor de liberação ou regularização de cirurgias”, diz a mãe do Artur, ao relembrar que a especialista quis censurá-la por ela estar "fazendo alvoroço com este abaixo-assinado”.

Naquele momento, Débora teve uma certeza – “foi aí que eu vi que o abaixo-assinado havia feito eles se mexerem”. A cirurgia do Artur ocorreu graças ao "fuzuê" causado pela petição online.

Além do abaixo-assinado, a mãe buscou a Justiça duas vezes, procurou a Defensoria Pública e inclusive ONGs – foi através de uma que ela conheceu a Change.org. “Muita gente ajudou, e sou agradecida a todos”, diz a mãe de Artur.